4 de abr de 2016

Sobre selfies que apagamos...


Quantas selfies a gente já tentou e nunca postou porque não ficou como o esperado? São tantas as referencias que temos de moda, de beleza, de cores, de forma, que no final das contas nos vemos procurando entrar em um padrão (que nunca alcançaremos), até chegarmos ao ponto de não querermos assumir, a nós e aos outros, detalhes de uma (im)perfeição que é só nossa. Passamos boa parte das nossa vidas classificando as coisas -e as pessoas- de forma antitética: bonito ou feio, bom ou ruim, 8 ou 80... e não damos conta de que a simetria real até na matemática acontece esporadicamente.

É inevitável: desde criança, a gente se compara com as colegas, com as primas, com as bonecas, com as garotas da TV... e eu, desde cedo me vi fugir do padrão. Minha mãe mesmo já dizia sobre minha beleza "excêntrica" e antes dela, os colegas da escola sem precisar dizer, já me faziam refletir sobre meu reflexo no espelho. Não, não era e provavelmente nunca seria uma atriz da globo, muito menos uma modelo de revista. Talvez um personagem do filme do Tim Burton. Mas isso não era atraente pata os garotos, portanto não seria atraente para ninguém, à época!!

Eu cresci na idade (a altura oposta ao que seria ideal, permaneceu). Meus cabelos não ficaram louros e lindos como os da Gisele Bundchen. Meu corpo não mudou muito desde os 12 anos e sabe o que eu mais gosto em olhar para trás e lembrar dos complexos que eu me deixei alimentar?? Eu ainda sou eu mesma. Ainda olho no espelho e vejo a mesma garota que sonha com um mundo melhor. Ainda sinto amor infinito e ainda tenho a certeza de que sou enorme, mesmo com pouco mais de 1,5 m. E eu amo os filmes do Tim Burton! haha

Quantas selfies a gente faz e apaga? Vocês podem pensar que eu estou maquiada na foto, mas acreditem ou não, eu encontrei defeitos e me recusei a postar. Hoje eu lembrei do que me trouxe até aqui: Eu quero a loucura de ser quem eu sou, todos os dias. Pois, como já dizia a Clarisse (Lispector), até meus maiores defeitos podem ser o pilar essencial da minha estrutura.

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